A carta mais triste do ano...

Se adiantasse implorar, eu não me importaria... De joelhos, no milho, no sereno e na frente de todo mundo. Com flores numa mão e o coração na outra. Se agir como louca ajudasse, eu não hesitaria. Ignorava o medo de altura e pulava de paraquedas, mandava carro de som ou cantava desafinada e bêbada na porta da sua casa. Se chorar, te trouxesse de volta, eu extinguiria a seca de todo o sertão, regaria espíritos áridos e os faria florescer novamente. Mas a gente não pode mendigar amor. Certo?!
"Ei, olha de novo pra mim!? Não vê que sua indiferença me esmaga? Por um acaso, vai cair teus braços se você me abraçar bem forte? Não vê que estou fodida sem sua presença?". Ou, ainda: "Será que dá pra esquecer que a gente terminou e que você já tem outros planos e está muito bem obrigada sem o peso que eu represento, e, me amar pela última vez, com todo amor que já sentiu um dia? (Você sentiu amor por mim, algum dia... Certo?)".
Mas, não dá! Eu sei que dá uma vontade danada de vomitar tudo isso em cima dela. Mas nós sabemos que é melhor não. Pouco mudaria e além do mais... "Amor não se pede!". É uma pena! É uma pena sentir o coração pulsar ao ouvir uma frase clichê que mais uma vez alimenta a esperança de que tudo magicamente mudará. E, logo depois, levar uma rasteira. Porque nada vai mudar. E no fundo... A gente sabe.
Dá dó, sabe? Ter o coração surrado de amar tanto e querer tanto... sozinha. Olhos inchados de amar sozinha. O olhar que se perdeu e não faz ideia do caminho de volta pra casa. É estar rodeada de pessoas e se esforçar ingloriamente pra disfarçar a frustração de ter construído tantos sonhos e ter que enterrar cada um deles... sozinha. Eu sei que dá vontade, mas não vai adiantar dizer: "Eu tô sofrendo pra cacete aqui! Será que dá pra parar de ser burra e me amar?". E dá raiva...
Raiva dela ter tirado a graça de conhecer outras pessoas, tão interessantes ou mais do que ela. Raiva dela ter alterado permanentemente as suas percepções, sentidos e princípios. Raiva dela ter tirado o gosto do pão quentinho com bastante queijo, que você tanto amava. Raiva dela fazer você comer três pães seguidos só pra ver se em algum momento, o gosto volta. Raiva dela ter tirado as cores bonitas do mundo. A alegria em ver as crianças correndo e brincando. A graça na bobeira do cachorro querendo brincar. Porque absolutamente TUDO, lembra ela. Todas as cores, a alegria, o cachorro, os dias, as noites, a vida.
Ela roubou a sua leveza... e tantas outras coisas, que você nem saberia mensurar. Você está vazia! E mesmo assim, não dá pra você tentar pela "última vez" fazê-la entender que a vida é curta demais pra desperdiçar um amor tão grande e pedir completamente desnuda de qualquer orgulho ou vaidade: "Volta! Por favor, VOLTA!". Eu sei que é triste... Eu sei mesmo!
É triste ver o sol iluminando a porra toda e dentro de você permanecer completamente e irreversivelmente, nublado. É triste sentir tantos cheiros semelhantes e não reconhecer nenhum deles, o do corpo dela. Aquele cheiro que era calmaria (e, te fazia querer ser melhor pra você mesma e pro resto do mundo.) e caos (despertando um desejo incontrolável de querer transar pro resto da vida.). É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz, querendo escrever uma história feliz, mas só escrevendo esse texto amargurado.
(Silêncio)!
É triste saber que falta alguma coisa que não dá pra comprar, substituir, esquecer, "deixar pra lá" ou implorar (só mais um pouquinho...).
É triste lembrar dos planos, dos sonhos, de como eu ria com ela, do ciúme bobo que me envaidecia embora castigasse, do abraço, do beijo, do sexo...
Mas amor, não é algo que se possa mendigar, pechinchar, roubar, comprar à vista ou em boletos intermináveis. O amor nasce, sem força de imposição. Amor se sente, se vive ou não, se declara ou se guarda pra sempre. Tão fundo que a gente pensa às vezes que secou ou morreu. E antes que eu me esqueça...
Ela sabe! Ela sabe...

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